20/10/08
Programa de Controle Nutricional para Pacientes Renais

Partindo do principio de que a informação é um bem precioso, pois quanto melhor informados mais podemos fazer por nossa saúde, pensando assim a APREV – Associação de Pacientes Renais do Vale do Paraíba elaborou um programa de orientação nutricional destinado às pessoas que sofrem de Doença Renal Crônica e Aguda para ajudar a manter controlado os níveis de fósforo, cálcio, potássio, sódio e água no sangue em equilíbrio e com isso tornar seu tratamento ainda melhor.

Pessoas bem nutridas resistem mais às infecções, às cirurgias e ao próprio tratamento dialítico. Portanto, você que faz diálise, seja ela peritoneal ou hemodiálise, deve cuidar da sua alimentação e do seu estado nutricional, pois esta é uma tarefa tão importante quanto tomar os medicamentos na hora certa e comparecer às consultas e sessões de diálise.
Um bom estado nutricional significa estar com o peso ideal para a sua idade e altura, ter bons músculos, dentes em bom estado de conservação ou próteses (dentaduras) adequadas, capazes de realizar uma boa mastigação. Também significa cuidar bem da pele e dos cabelos. Tudo isso está relacionado com uma boa alimentação, ou seja, comer os alimentos certos, nas quantidades certas e com intervalos de tempo regulares. O (a) nutricionista é o profissional que pode lhe acompanhar, dando orientações apropriadas, pois cada pessoa tem sua própria necessidade de alimentos e complementos alimentares ou um peso ideal a ser atingido. Este programa nutricional trás explicações e dicas sobre as substâncias contidas nos alimentos, quais alimentos são normalmente recomendados ou devem ser evitados.

Os alimentos que ingerimos diariamente encerram em si as substâncias de que o nosso corpo necessita para viver como proteínas, gorduras, hidratos de carbono, sais minerais, (sódio, potássio, cálcio, fósforo etc), vitaminas, água e outros. Dentre estas destacamos as proteínas, o sódio, o fósforo, o cálcio, o potássio e a água, cujo controle deverá merecer toda sua atenção.

» Proteínas

As proteínas são peças chaves na construção e a renovação das células dos tecidos. O processo de digestão da proteína fornece uréia. Como seus rins não estão funcionando, você retém esse excesso de uréia no sangue. A uréia sangüínea excessivamente alta pode originar os seguintes sintomas: náuseas, vômitos e falta de apetite. Porém, o consumo inadequado de proteína, poderá levar aos seguintes sintomas: perda de peso, perda de massa muscular e desnutrição.
As proteínas encontram-se no nosso corpo numa proporção de 18 a 19%, o que num indivíduo de 70 kg representa mais ou menos, 13 kg de proteínas. No entanto, este valor não é estável, visto que diariamente proteínas são destruídas e sintetizadas, assim como ocorrem perdas de proteína em cada sessão de diálise.

Os alimentos ricos em proteína são: carne de frango, carne de boi, peixes, peru, fígado, leite, queijos, iogurtes, ovos, são proteínas denominadas como de alto valor biológico. Alimentos fonte de proteína vegetal são: soja, lentilha, feijão, nozes, grão-de-bico, são denominadas proteínas de baixo valor biológico.

» Sódio

O sódio (Na) é um componente do sal de cozinha. Pacientes com insuficiência renal não conseguem eliminar o sódio de modo a manter o equilíbrio do organismo, originando a retenção de água provocando aumento de peso, inchaço (edemas) das pernas, do rosto, dos olhos, etc... e elevações de pressão arterial. Toda essa sobrecarga pode levar problemas cardíacos e edema do pulmão. Essas complicações interferem no bem estar do paciente em diálise, tornando a sessão de diálise penosa pela necessidade e eliminar os líquidos em excesso.

Pergunte ao seu médico nefrologista que tipo de dieta você deve seguir.
Dieta com sal normal, dieta com redução de sal ou a dieta rigorosamente sem sal.

» Cálcio e Fósforo

O cálcio (Ca) e fósforo (P) são dois minerais que, juntos, ajudam a manter os ossos e dentes saudáveis. Os rins têm importante função de equilibrar as quantidades adequadas de fósforo e cálcio no organismo. No paciente com insuficiência renal, como os rins não funcionam adequadamente, o equilíbrio entre esses dois minerais está prejudicado. Assim, a eliminação de fósforo pela urina diminui, acumulando-o no sangue. Uma diálise adequada ajuda a retirar uma parte do fósforo acumulado no sangue. Altos níveis de fósforo no sangue facilitam a retirada de cálcio dos ossos. Esta situação de desequilíbrio dos sais minerais pode levar à doença óssea, que provoca dores, enfraquecimento e quebra dos ossos. Outros sintomas são: coceiras em todo o corpo e calcificação (endurecimento) dos tecidos moles, como vasos sanguíneos, coração e pulmões, devido ao acumulado de cálcio e do fósforo nestes locais. A paratireóide é uma glândula que produz hormônio denominado PTH, que controla os níveis de cálcio no sangue. Se estiver produzindo PTH em excesso, a glândula paratireóide poderá ter que ser removida através de cirurgia.

- O que é calcificação?
Quando os níveis de fósforo e cálcio estão desequilibrados, o fósforo e o cálcio em excesso se unem formando depósitos sólidos no seu organismo. Estes depósitos podem formar-se no coração, pulmões, vasos sanguíneos, articulações e outros tecidos moles.

- O que provoca a calcificação?
Vários fatores contribuem para a calcificação:
1. Fósforo elevado
2. Produtos cálcio-fósforo (CaxP) elevado
3. Cálcio em excesso
4. Idade
5. Tempo em diálise
Importante: Você pode controlar os itens 1, e 2.

Dicas úteis e importantes:

Principais alimentos ricos em fósforo
• Carnes em geral: boi, frango, peixe e porco; sardinha, miúdos de frango, fígado de vaca, lingüiça, salsicha, presunto;
• Leite e derivados de leite: queijo, iogurte, requeijão, ricota e doces à base de leite, como sorvete, doce de leite, chocolate;
• Ovos, gema; feijão, lentilha, grão de bico e soja.
• Amendoim e preparações à base de amendoim, castanha de caju, nozes ou avelã;
• Bebidas: cerveja e refrigerantes à base de cola (Coca-Cola, Pepsi), chocolates.

Além de ricos em fósforo, esses alimentos são as principais fontes de
proteínas na alimentação, e todo paciente em diálise precisa comer
quantidades adequadas de proteínas mas nunca diariamente.

- Como reduzir o fósforo elevado no sangue?
Dado que o fósforo existe em quase todos os alimentos e não é eliminado em contato com a água (como o potássio), existe uma classe de medicamentos para impedir a sua acumulação no organismo, os quelantes de fósforo.

- O que é um quelante?
O quelante é um medicamento que tem a função de evitar que o fósforo do alimento vá para o sangue. Ele gruda no fósforo presente no alimento, sendo eliminado através das fezes. Os quelantes de fósforo mais usados atualmente são Sevelamer ou Renagel, acetato de cálcio e o carbonato de cálcio.
Sevelamer (Renagel) é usado como quelante de fósforo, produto não absorvível pelo organismo, e faz parte da lista de Medicamentos Excepcionais do Ministério da Saúde.
Os quelantes devem ser tomados antes das refeições e lanches que contenham alimentos com grande quantidade de fósforo, ou conforme orientação do médico ou nutricionista.

Pergunte ao seu médico da necessidade de se tomar quelante
(quelante é um medicamento que evita que o fósforo vá para o sangue).

- Como você pode controlar os seus níveis de fósforo no sangue?
1. Fazendo dieta
2. Fazendo diálise regularmente
3. Tomando quelantes de fósforo

- O que acontece se você não controlar os níveis de fósforo e de cálcio no sangue?
A curto prazo, você pode sentir coceira na pele e ficar com os olhos vermelhos. Pode sentir fraqueza e dores nos ossos e articulações. A longo prazo você pode ter problemas cardíacos. A diálise ajuda a mantê-lo em forma, vai retirar parte do fósforo e outros produtos tóxicos do seu sangue, vai manter o equilíbrio dos seus fluídos e a pressão arterial sob controle, mas não remove todo o fósforo do seu sangue.

ALIMENTO RICO EM FÓSFORO + QUELANTE = SAÚDE!!

» Potássio

O potássio (K) é muito importante para o bom funcionamento dos nervos e músculos. Os alimentos fornecem potássio ao nosso organismo, sendo que este é posteriormente eliminado pelo rim. No caso da Insuficiência Renal, por esta eliminação estar dificultada, este se acumula no sangue e conduz a perturbações da atividade muscular, até mesmo no coração, podendo provocar, em caso extremo, a parada cardíaca.

O potássio é o único mineral que quando um alimento fica de molho em água, perde potássio. Este método é mais utilizado para batata, batata doce, mandioca, beterraba, cenoura e abóbora, mas pode ser utilizado para qualquer hortaliça e também frutas.

Dicas úteis e importantes para remover o potássio dos alimentos:
1- Devido ao maior intervalo de hemodiálise durante os fins de semana é importante que como primeira medida, reduza especialmente os alimentos ricos em potássio.
2- Sendo o potássio um sal facilmente solúvel em água, poderá eliminá-lo de grande parte dos alimentos (aproximadamente 60%), utilizando as seguintes dicas:

Legumes
• Descasque, pique e deixe de molho por algumas horas renovando a água de vez em quando;
• Despreze a água;
• Cozinhe em água em abundância;
• Despreze a água de cozimento.

Frutas
• A fruta cozida contém aproximadamente metade do potássio existente na fruta fresca (dado que a outra metade se encontra dissolvida na água do cozimento).

Atenção! Você NUNCA deverá beber este líquido porque é muito rico em potássio.

O ato de deixar de molho os legumes e frutas têm o inconveniente de perder grande parte das vitaminas solúveis em água. Daí que o Insuficiente Renal Crônico necessite de complexos vitamínicos adicionais.
Alimentos ricos em potássio são várias frutas e hortaliças como também seus sucos. O leite, carne, batata, chocolate, doce de leite, cereais integrais, gérmen de trigo, gergelim, amendoim, castanha, nozes, avelã, amêndoa, caldo de carne, de galinha, de legumes e temperos (Knorr, Maggi, Sazon, etc), massa e molho de tomate, catchup, azeitona, fruta seca, (uva passa, ameixa, figo, etc), feijão, grão de bico, lentilha, soja, rapadura, melado, café solúvel.

Os alimentos deixados em molho perde parte de seu sabor, que poderá ser restituído pela utilização de ervas e condimentos, mas NUNCA o sal em excesso, nem os concentrados de carne, galinha e peixe. Procure usar ervas aromáticas como salsa, louro, coentro hortelã, cebola, cebolinha, alho, vinagre, açafrão etc.

» Dieta

O que você precisa fazer:
• Conversar com seu médico e/ou nutricionista sobre o seu regime alimentar.
• Planeje a sua dieta para que você tenha os alimentos adequados em casa.
• Controle seu alimento. Nenhum alimento deve ser totalmente retirado de sua dieta, porém alguns deverão ser consumidos em quantidades limitadas.
• Siga as orientações de seu médico e/ou nutricionista.

» Água

Normalmente os pacientes em diálise necessitam de uma restrição de líquidos na dieta. Quanto menos urina, menos líquido ele pode beber. A sobrecarga de líquidos pode ser perigosa, causando aumento da pressão arterial, inchaço e insuficiência cardíaca. O líquido pode acumular-se nos pulmões, causando dificuldade na respiração. Isso pode sobrecarregar o coração, deixando que este se torne aumentado e fraco. Ganhos verdadeiros de peso não ocorrem do dia para a noite. O peso da sobrecarga de líquidos forma-se rapidamente. Um ganho rápido de peso pode significar que o paciente está bebendo muito líquido e/ou ingerindo muito sódio ou sal na alimentação.
Existem muitos tipos de líquidos além de água. Qualquer coisa que derreta à temperatura ambiente é líquido. Isso inclui o gelo, sorvete e gelatina. As frutas e hortaliças contêm 90% de água. Não se pode esquecer que as sopas também contêm água. As recomendações diárias de líquido são individualizadas. Este montante usualmente é igual ao volume urinário de 24 horas mais 500 ml.

Atenção: Não faça restrições em sua dieta sem antes procurar o seu médico ou nutricionista para uma avaliação.

Se tiver dúvidas quanto as informações acima, pergunte ao seu médico.

Cuidado com a Carambola!

A carambola é uma fruta que pode comprometer a função renal de pacientes que fazem tratamento conservador (antes de começar a diálise) e de pacientes em diálise. Quem ingere a fruta ou suco da fruta apresenta dores musculares, soluço intratável, distúrbios de consciência e convulsões.


Portanto pacientes com função renal comprometida e pacientes que realizam diálise não podem comer carambola por risco de seqüelas graves.

 

 
 






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